Quem frequenta concessionárias e lojas multimarcas acaba percebendo uma cena que se repete com certa frequência: carros seminovos com menos de 10 mil quilômetros rodados e apenas um, dois ou até três anos de fabricação.
Pouca quilometragem sempre foi um diferencial. É um dos primeiros itens observados por quem procura um seminovo. Afinal, carro muito rodado costuma perder valor e demora mais para ser vendido. Mas essa é uma conversa para outro dia.
O que sempre chama a minha atenção é apenas uma questão: Por que o antigo dono vendeu um carro que praticamente não usou?
É inevitável. A curiosidade bate e, o instituo jornalístico (e curioso) me faz perguntar ao vendedor. E as respostas mostram que nem sempre existe uma lógica.
Recentemente encontrei um Fiat Fastback 2024/2025 com apenas 9 mil quilômetros rodados. O carro havia sido trocado por um Chevrolet Tracker zero-quilômetro.
Outro exemplo foi um CAOA Chery Tiggo 7 2024/2025, com apenas 7 mil quilômetros, que entrou na negociação por um GWM Haval H9 zero. Também apareceu um Toyota Corolla 2023/2024, com 9 mil quilômetros, trocado por uma Chevrolet S10 High Country 2023.
E talvez o caso mais curioso: uma Ford Ranger 2025/2026, com apenas 8 mil quilômetros, foi trocada por um Fiat Cronos zero-quilômetro. São histórias que, à primeira vista, parecem improváveis, mas aconteceram.
No caso do Fastback, o proprietário simplesmente não gostou da posição de dirigir. Apesar da proposta de SUV, ele esperava um carro mais alto e percebeu que o modelo não entregava exatamente a sensação que imaginava.
Já o dono do Tiggo 7 queria fazer um upgrade. Apaixonou-se pelo estilo do Haval, mas ficou frustrado com a avaliação oferecida pela concessionária onde faria a troca. Acabou procurando uma loja multimarcas e conseguiu fechar um negócio melhor.
O Corolla deu lugar à caminhonete por uma mudança na rotina profissional do proprietário. O sedan já não atendia mais às necessidades do dia a dia.
E a Ranger? A explicação foi das mais simples. O dono nunca conseguiu se adaptar ao tamanho da picape. Resolveu voltar para um carro menor e saiu dirigindo um Cronos, satisfeito com a decisão.
Esses casos mostram que, muitas vezes, a quilometragem baixa não esconde nenhum problema mecânico ou surpresa desagradável. Na maioria das vezes, existe apenas uma mudança de momento, de necessidade ou, simplesmente, de gosto.
No Brasil, pouca quilometragem continua sendo um diferencial importante na hora da compra de um seminovo. Mas, cada vez mais, percebo que o que realmente torna um carro interessante é a história que ele carrega.
E você? Já comprou ou vendeu um carro com poucos quilômetros por um motivo que ninguém imaginaria? Conte sua história. Mais adiante vamos falar do teste drive estendido.

